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SERVIÇOS RUINS, POR QUÊ?



Não adianta esconder o sol com a peneira. Nem mesmo na Bahia- O Estado da alegria com seus encantos e axés - o setor que mais cresceu nos últimos tempos escapa das reclamações de seus usuários regulares ou mesmo daqueles que porventura precisam utilizá-lo em qualquer dos segmentos. As reclamações são diversas e atingem todos os níveis. Desde os serviços primários (saúde, alimentação, segurança e educação) até os secundários (transporte, entretenimento e diversão) ou terciários por assim dizer. O certo é que os governantes têm obtido um sucesso espetacular durante estes últimos 20 anos: Colocar a culpa no servidor público. Especificamente na maior conquista da categoria com o advento da CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 - A ESTABILIDADE.

Não raro se pode ouvir entre as reclamações de usuários insatisfeitos com o atendimento em repartições públicas que a ineficiência, a ineficácia ou o descaso no serviço prestado são causados porque o servidor se sente acomodado por saber que não corre o risco de ficar desempregado.

Gostaria de poder concordar com tal impressão. Minto. Eu não gostaria, pois sou também um servidor público. Mas minha discordância não se deve a esse fato e sim por uma simples observação: Já perceberam  os serviços que prestam o pior atendimento estão entregues à empresas privadas?

Transporte - O transporte coletivo de Salvador é um absurdo de desrespeito ao cidadão. Os pontos de ônibus, em sua grande (muito grande) maioria não oferecem o mínimo de conforto. Não protegem o usuário do sol, nem da chuva, raramente tem locais para o usuário esperar sentado. Isso sem falar dos riscos à integridade física nos inúmeros assaltos e nos incontáveis e intimidadores pedidos  de "ajudinha". Vai de ceguinhos simpáticos a supostos SOROPOSITIVOS que te amaçam transmitir o vírus se não atender às súplicas deles. Tudo bem, conforto e segurança nos pontos seriam dispensáveis se o transporte coletivo fosse eficiente e esse usuário não tivesse que esperar em média por mais de 30 minutos. Melhor, seria dispensável se os ônibus realmente tivessem um horário (aproximado pelo menos) para passar no ponto e se quando ele passasse, o usuário tivesse a certeza de que ele pararia no ponto. Depois de esperar por mais de 30 minutos, em pé, sob chuva ou sol escaldante, o usuário tem de se acotovelar, espremer-se entre outros e ainda torcer para que não sofra um roubo ou, nem sei se é mais grave, um estupro.

Alimentação – Apesar de ser um comércio, o setor de alimentação também pode ser entendido do ponto de vista de satisfação de uma necessidade. Difícil é alguém enfrentar as grandes filas de nossos supermercados e dizer que saiu satisfeito. Aí pelo menos não se sofre com a chuva, nem com o sol. Mas se sofre com o cansaço das pernas e com a “moleza” dos atendentes e caixas. Às vezes eles parecem parar de atender para contar a novidade para o colega do lado. Outras vezes, puxam papo com o próprio cliente... isso quando a demora não é causada por uma queda do sistema ou pura inabilidade do operador em fazê-lo funcionar como deveria.

Saúde – Dá pra falar bem do Sistema Único de Saúde? Dá pra falar bem do sistema de saúde brasileiro? Mesmo no setor privado, o atendimento costuma ser muito precarizado quando o usuário utiliza algum convênio. Seja ele privado ou público.




O leitor pode perceber que todos esses serviços/produtos são prestados/oferecidos por empresas privadas (ainda que sejam serviços públicos) e seu quadro de pessoal não goza de qualquer privilégio, muito menos a estabilidade profissional e, ainda assim as reclamações inundam os PROCONs e os JUIZADOS DE PEQUENAS CAUSAS em todo o país.

Continua acreditando que o problema está na SITUAÇÃO DE SERVIDOR PÚBLICO?

2 comentários:

  1. devo concordar não porque vc conseguiu enumerar algumas deficiências de uma rede de atendimento que quer queira, ou não... Está subordinada ao poder Público, as concessionárias do transporte Público. Exceto a rede de alimentação... as outras duas estão intrísicamente ligadas.

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  2. Acredito que a questão passa pela eficiência do Estado em exercer o seu papel de fiscalizador, seja exercendo sua função de forma direta ou indiretamente delegando a terceiros.
    Quanto ao servidor,com raras exceções, considero necessário estratégias de reeducação profissional.
    Aos usuários cabem questionar e reclamar aos órgãos responsáveis pela fiscalização, e se isso fosse feito com mais frequência, certamente os serviços seriam pelo menos um pouco melhor.
    Mas, como não demonstramos formalmente nossa idignação sofremos e pagamos o preço pelo descaso do Estado.

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