Passado o primeiro turno das eleições e definidos os dois nomes concorrentes à vaga de Presidente da república, acirra-se o duelo e podemos perceber (ou pelo menos deveríamos) quais são as prioridades do povo brasileiro para os próximos quatro anos. Curiosamente, os assuntos que mais ensejaram perda de votos para a candidata petista, presumivelmente não estão ligados às necessidades primárias ou secundárias. Até mesmo a questão do aborto, não aparece como um caso de saúde e segurança pública. Está fatalmente ligado à religiosidade de um povo que, se não cumpre os mandamentos de suas crenças, prefere que o ESTADO se declare cumpridor.
Algumas entidades e líderes religiosos, a exemplo do pastor Silas Malafaya, da Assembléia de Deus, chegam ao extremo de pedir votos para o candidato que ele imagina proteger os desígnios divinos. Parecem mesmo imbuídos de oferecer proteção ao que suas crenças pessoais extraídas de interpretações equivocadas de traduções duvidosas de um pretenso livro sagrado entendem ser a vontade de Deus. Pois bem, aqui no Brasil, em se plantando tudo dá. Até Deus!
Nesse bojo, alguns grupos que se declaram protetores dos interesses de homossexuais, incluíram-se para protestar contra o posicionamento da candidata petista que, em carta de intenções prometeu não propor ou aprovar qualquer lei no sentido de legalizar o aborto e regulamentar o casamento homoafetivo (casamento gay). É o que se pode chamar de TODOS CONTRA UM, não obstante as diferenças entre os dois grupos (religiosos e homossexuais) e, digamos conflitos de interesse na causa propriamente dita. Pois se o a proibição do aborto agrada a religiosos, a proibição do casamento gay, deveria ser uma preocupação para os homossexuais.
Em entrevista ao JN, a candidata petista esclareceu muito bem seu entendimento sobre o aborto (aliás a maioria dos brasileiros entende, aceita, mas não declara que concorda), mas sequer tocou no ponto que interessa (será?) aos homossexuais, a regulamentação do casamento gay.
Uniram-se assim, santos e pecadores em torno de um bem comum que, a meu ver não representa conquista alguma para eles, mas sim uma grande perda de oportunidade para todos nós brasileiros vivermos em um país realmente democrático. Um país onde as mulheres possam decidir sobre seu corpo. Onde um casal possa elaborar seu planejamento familiar sem a intromissão do ESTADO que, na maioria das vezes o abandona à própria sorte quando se trata de criar e educar sua prole. Onde as pessoas possam escolher com quem se casar independentemente de cor, religião, classe social e SEXO.Um país onde todos sejam iguais de fato e não apenas de direito!
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