Seguidores

Os devotos, os jegues e o juiz: Onde está o jumento?



Os devotos do Senhor do Bonfim e do Oxalá, reclamaram muito da decisão do juiz Rui Eduardo Brito da 6ª Vara Pública do Tribunal de Justiça da Bahia que proibiu a participação de qualquer animal no cortejo, em especial os equinos.

Eu faria côro se também fosse adepto de qualquer das fés que celebram o evento, mas não sendo, posso apenas expressar minha humilde opinião sobre o assunto. Uma opinião de quem não entende muito de Direito e muito menos de Religião, mas pensa entender de natureza.

Sou sertanejo e a primeira forma de tração que conheci foi a animal (equinos e bovinos). Era-me muito comum ver burros e jegues puxando centenas de quilos e talvez algumas toneladas. Nunca se cogitou que um daqueles animais estivessem sofrendo, mesmo que levassem chibatadas no lombo. Parece-me que os jegues da lavagem não eram submetidos a tal tortura. Não chegam a apanhar.

Foto: Claudionor Jr.
disponível em http://www.atarde.com.br/noticia.jsf?id=5672754
A ação que obteve sucesso foi ajuizada por algumas ONGs (das tantas obscuras que proliferam pelo Brasil) OAB e, como era de se esperar, teve o parecer favorável do Ministério Público do Estado da Bahia. Na tal ação foram relatados maus tratos aos equinos (espetadas, tapas, som alto, sol forte e são obrigados a ingerir bebida alcoolica.)

Um dos argumentos (além da carga) seria o tempo que ficam sem beber água ou comer durante o trajeto de 8 quilômetros (Igreja da Conceição da Praia-Senhor do Bonfim). Fico a me perguntar se os beduínos dão tanta água assim aos camelos no Saara.Há maus tratos? Proíba-se as atrocidades, mas não é convincente a mera proibição da presença dos equinos (200 anos de tradição!) no cortejo. Como sempre, o Poder Público quando se trata de algo ligado às tradições populares, opta por amputar o braço em vez de tratar o ferimento. Opta pela solução mais rápida, sem levar em conta o sofrimento que irá causar.

Claro que sei das diferentes necessidades entre camelos, jegues, adeptos e juízes. Os dois primeiros são bem resistentes ao calor, à sede e à fome. Os limites dos adeptos são os limites da fé de cada um deles. Resta-me apenas saber quais são os limites do juíz. Assim terei elementos decidir onde realmente está o jumento.

3 comentários:

  1. Muito bom o seu texto Pedro. Um beijo!!!!!!!!!!!!!

    ResponderExcluir
  2. Gostei !!! Beijo, Juliana

    ResponderExcluir
  3. Pedro ...adorei sua critica !!! Claro ...não se trata de fazer apologia a possiveis maus tratos ....mas interromper uma tradição de 2 séculos ...assim, sem nenhum tipo de negociação ....é verdadeiramente lamentável ...e uma perda cultural muito grande !!
    É assim que a identidade de um povo e sua cultura ...vão sendo esmagada por nossa modernidade ...incoerente ...e seu discurso demagogo !!!

    Um grande abraço !

    ResponderExcluir