A cada noticiário, os boletins informam um número mais elevado de vítimas da tragédia da região serrana. Para quem está distante, parece que os humanos estão apenas se defendendo do jeito que podem e tentando do jeito que não podem, de um inimigo comum e inatingível.
Concordo que chuvas e deslizamentos de encostas são desastres naturais, tanto quanto o são furacões e tornados, terremotos, maremotos e tsunamis, mas não posso aceitar que as tragédias sejam atribuídas à natureza. Há um culpado pelas aproximadamente 765 mortes (calculo que esse número ultrapassará a marca de mil mortes) e milhares de desabrigados. Não me convenço com o discurso do excesso do volume de chuvas dos governantes. Dessa vez não se pode associar a tragédia à falta de recursos dos moradores. Dessa vez foram devastados bem mais do que barracos sobre aterros de lixões ou despenhadeiros. Foram mansões e até hotéis aparentemente bem estruturados.
O prefeito Sérgio Cabral pensa ser pertinente declarar que houve ocupação irregular. Ainda enfatizar que isso ocorreu tanto com ricos quanto com pobres.
Será que ele se esquece que é um dos responsáveis por essas ocupações irregulares?
Será que algum assessor poderia informá-lo que existe (ou deveria existir) um órgão municipal que fiscaliza (fiscalizasse) a ocupação do solo, com vistas a evitar seu mau uso e, consequentemente ocupações irregulares?
Claro que ele sabe disso, mas em uma regressão ao Estado de irresponsabilidade do monarca, não se cogita culpar o Rei. A realeza como sempre permanecerá impune.
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