"Um aposentado de 81 anos ficou revoltado por ter de esperar atendimento em um posto de saúde de Belo Horizonte (MG) e deu dois tiros no vigilante da unidade. O suspeito fugiu após o crime, ocorrido na manhã de hoje no bairro São José, na região noroeste da capital mineira."
Íntegra disponível em http://www.atarde.com.br/brasil/noticia.jsf?id=5675330
O que falar quando a busca por um direito leva um cidadão comum a cometer ato ou atos que o colocam à margem da lei?
O nó na garganta é um misto de aplauso pela demonstração enérgica de descontentamento, de pesar pela vítima equivocada e de esperança que ocorrências do gênero alertem para a tomada de atitudes que visem melhorar o atendimento ao público.
A atitude do senhor octagenário já passou pela cabeça de milhares de usuários de qualquer dos serviços públicos. Não posso contar quantas vezes já me peguei pensando em atirar pedras em vidros de ônibus que não param no ponto ou quantas vezes já pensei em atirar na cabeça de motoristas que mais parecem estar transportando gado para o abate. São arrancadas e freadas bruscas sem se preocupar com a integridade física dos idosos e deficientes físicos ou até mesmo daqueles que gozam de boa saúde, mas que pode estar distraído.
É triste que o vigilante tenha sido o alvo da bala. Seria menos triste se a bala tivesse atingido um dos governantes responsáveis pelo caos desses serviços. Poderia ser o prefeito ou o governador, mas serviria se fosse qualquer vereador.
Infelizmente, as ações imediatas demonstram que os cérebros "pensantes" e "governantes" tem uma idéia mais equivocada do que a ação do usuário do que seria uma intervenção positiva na qualidade da oferta de serviços. Não seria estranho se apartir de hoje todas as unidades que prestam atendimento pelo SUS sejam dotadas de módulo policial e detector de metais. Ocorre que o Estado pensa ser melhor gastar o dobro para oferecer "segurança" a seus trabalhadores, do que gastaria com a otimização de serviços como contratação de mão-de-obra.
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