Seguidores

RIO. FÚRIA DA NATUREZA OU CULPA DA REALEZA?

A cada noticiário, os boletins informam um número mais elevado de vítimas da tragédia da região serrana. Para quem está distante, parece que os humanos estão apenas se defendendo do jeito que podem e tentando do jeito que não podem, de um inimigo comum e inatingível.
Concordo que chuvas e deslizamentos de encostas são desastres naturais, tanto quanto o são furacões e tornados, terremotos, maremotos e tsunamis, mas não posso aceitar que as tragédias sejam atribuídas à natureza. Há um culpado pelas aproximadamente 765 mortes (calculo que esse número ultrapassará a marca de mil mortes) e milhares de desabrigados. Não me convenço com o discurso do excesso do volume de chuvas dos governantes. Dessa vez não se pode associar a tragédia à falta de recursos dos moradores. Dessa vez foram devastados bem mais do que barracos sobre aterros de lixões ou despenhadeiros. Foram mansões e até hotéis aparentemente bem estruturados.
O prefeito Sérgio Cabral pensa ser pertinente declarar que houve ocupação irregular. Ainda enfatizar que isso ocorreu tanto com ricos quanto com pobres.
Será que ele se esquece que é um dos responsáveis por essas ocupações irregulares?
Será que algum assessor poderia informá-lo que existe (ou deveria existir) um órgão municipal que fiscaliza (fiscalizasse) a ocupação do solo, com vistas a evitar seu mau uso e, consequentemente ocupações irregulares?
Claro que ele sabe disso, mas em uma regressão ao Estado de irresponsabilidade do monarca, não se cogita culpar o Rei. A realeza como sempre permanecerá impune.











Idoso se revolta com espera e atira em vigilante em MG

"Um aposentado de 81 anos ficou revoltado por ter de esperar atendimento em um posto de saúde de Belo Horizonte (MG) e deu dois tiros no vigilante da unidade. O suspeito fugiu após o crime, ocorrido na manhã de hoje no bairro São José, na região noroeste da capital mineira."


O que falar quando a busca por um direito leva um cidadão comum a cometer ato ou atos que o colocam à margem da lei?

O nó na garganta é um misto de aplauso pela demonstração enérgica de descontentamento, de pesar pela vítima equivocada e de esperança que ocorrências do gênero alertem para a tomada de atitudes que visem melhorar o atendimento ao público.

A atitude do senhor octagenário já passou pela cabeça de milhares de usuários de qualquer dos serviços públicos. Não posso contar quantas vezes já me peguei pensando em atirar pedras em vidros de ônibus que não param no ponto ou quantas vezes já pensei em atirar na cabeça de motoristas que mais parecem estar transportando gado para o abate. São arrancadas e freadas bruscas sem se preocupar com a integridade física dos idosos e deficientes físicos ou até mesmo daqueles que gozam de boa saúde, mas que pode estar distraído.

É triste que o vigilante tenha sido o alvo da bala. Seria menos triste se a bala tivesse atingido um dos governantes responsáveis pelo caos desses serviços. Poderia ser o prefeito ou o governador, mas serviria se fosse qualquer vereador.

Infelizmente, as ações imediatas demonstram que os cérebros "pensantes" e "governantes" tem uma idéia mais equivocada do que a ação do usuário do que seria uma intervenção positiva na qualidade da oferta de serviços. Não seria estranho se apartir de hoje todas as unidades que prestam atendimento pelo SUS sejam dotadas de módulo policial e detector de metais. Ocorre que o Estado pensa ser melhor gastar o dobro para oferecer "segurança" a seus trabalhadores, do que gastaria com a otimização de serviços como contratação de mão-de-obra.

BBB11 - De essências, aparências e excrementos

A décima primeira versão da mais nova antiga mania dos telespectadores, por que não dizer o mais novo vício dos sonhadores brasileiros iniciou-se no dia 11 desse mês e, hoje, sete dias depois, seu primeiro ciclo foi fechado com a expulsão de sua mais emblemática figura, em um “paredão” que, se não deixou claro na sua formação as predileções dos moradores da casa, não deixa dúvidas quanto às rejeições do público.

Não foi surpresa que o primeiro paredão fosse formado por três dos quatro negros, sendo esse trio formado por uma mulher, um homossexual e um transsexual. Não foi surpresa a larga margem de rejeição demonstrada pelo público ao último deles.

O público brasileiro, em especial os que assistem televisão, continua lucidamente mostrando a essência do pensamento médio do país, apesar dos discursos politicamente corretos e todo esforço para manter aparências para não ser punido pela legislação. Fato é que na primeira oportunidade, não se hesita em exalar sua opinião nas escolhas.

Entre os participantes a estratégia dominante para se garantir no jogo tem sido a “pegação”. Se a regra das preferências sexuais nessa "pegação" tem sido os “homo”, os “bi” e até os “tri”, o “hetero” é a exceção. Aliás, o único participante que se declarou “hetero” foi o “trans” que afirma categoricamente ser uma mulher. Alguns dizem que esse foi o erro que lhe valeu a expulsão tão cedo do jogo: Não revelar sua intimidade em um jogo que tem como principal atrativo a mistura de aparência e essência oferecida como excremento.






SERVIÇOS RUINS, POR QUÊ?



Não adianta esconder o sol com a peneira. Nem mesmo na Bahia- O Estado da alegria com seus encantos e axés - o setor que mais cresceu nos últimos tempos escapa das reclamações de seus usuários regulares ou mesmo daqueles que porventura precisam utilizá-lo em qualquer dos segmentos. As reclamações são diversas e atingem todos os níveis. Desde os serviços primários (saúde, alimentação, segurança e educação) até os secundários (transporte, entretenimento e diversão) ou terciários por assim dizer. O certo é que os governantes têm obtido um sucesso espetacular durante estes últimos 20 anos: Colocar a culpa no servidor público. Especificamente na maior conquista da categoria com o advento da CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 - A ESTABILIDADE.

Não raro se pode ouvir entre as reclamações de usuários insatisfeitos com o atendimento em repartições públicas que a ineficiência, a ineficácia ou o descaso no serviço prestado são causados porque o servidor se sente acomodado por saber que não corre o risco de ficar desempregado.

Gostaria de poder concordar com tal impressão. Minto. Eu não gostaria, pois sou também um servidor público. Mas minha discordância não se deve a esse fato e sim por uma simples observação: Já perceberam  os serviços que prestam o pior atendimento estão entregues à empresas privadas?

Transporte - O transporte coletivo de Salvador é um absurdo de desrespeito ao cidadão. Os pontos de ônibus, em sua grande (muito grande) maioria não oferecem o mínimo de conforto. Não protegem o usuário do sol, nem da chuva, raramente tem locais para o usuário esperar sentado. Isso sem falar dos riscos à integridade física nos inúmeros assaltos e nos incontáveis e intimidadores pedidos  de "ajudinha". Vai de ceguinhos simpáticos a supostos SOROPOSITIVOS que te amaçam transmitir o vírus se não atender às súplicas deles. Tudo bem, conforto e segurança nos pontos seriam dispensáveis se o transporte coletivo fosse eficiente e esse usuário não tivesse que esperar em média por mais de 30 minutos. Melhor, seria dispensável se os ônibus realmente tivessem um horário (aproximado pelo menos) para passar no ponto e se quando ele passasse, o usuário tivesse a certeza de que ele pararia no ponto. Depois de esperar por mais de 30 minutos, em pé, sob chuva ou sol escaldante, o usuário tem de se acotovelar, espremer-se entre outros e ainda torcer para que não sofra um roubo ou, nem sei se é mais grave, um estupro.

Alimentação – Apesar de ser um comércio, o setor de alimentação também pode ser entendido do ponto de vista de satisfação de uma necessidade. Difícil é alguém enfrentar as grandes filas de nossos supermercados e dizer que saiu satisfeito. Aí pelo menos não se sofre com a chuva, nem com o sol. Mas se sofre com o cansaço das pernas e com a “moleza” dos atendentes e caixas. Às vezes eles parecem parar de atender para contar a novidade para o colega do lado. Outras vezes, puxam papo com o próprio cliente... isso quando a demora não é causada por uma queda do sistema ou pura inabilidade do operador em fazê-lo funcionar como deveria.

Saúde – Dá pra falar bem do Sistema Único de Saúde? Dá pra falar bem do sistema de saúde brasileiro? Mesmo no setor privado, o atendimento costuma ser muito precarizado quando o usuário utiliza algum convênio. Seja ele privado ou público.




O leitor pode perceber que todos esses serviços/produtos são prestados/oferecidos por empresas privadas (ainda que sejam serviços públicos) e seu quadro de pessoal não goza de qualquer privilégio, muito menos a estabilidade profissional e, ainda assim as reclamações inundam os PROCONs e os JUIZADOS DE PEQUENAS CAUSAS em todo o país.

Continua acreditando que o problema está na SITUAÇÃO DE SERVIDOR PÚBLICO?

Os devotos, os jegues e o juiz: Onde está o jumento?



Os devotos do Senhor do Bonfim e do Oxalá, reclamaram muito da decisão do juiz Rui Eduardo Brito da 6ª Vara Pública do Tribunal de Justiça da Bahia que proibiu a participação de qualquer animal no cortejo, em especial os equinos.

Eu faria côro se também fosse adepto de qualquer das fés que celebram o evento, mas não sendo, posso apenas expressar minha humilde opinião sobre o assunto. Uma opinião de quem não entende muito de Direito e muito menos de Religião, mas pensa entender de natureza.

Sou sertanejo e a primeira forma de tração que conheci foi a animal (equinos e bovinos). Era-me muito comum ver burros e jegues puxando centenas de quilos e talvez algumas toneladas. Nunca se cogitou que um daqueles animais estivessem sofrendo, mesmo que levassem chibatadas no lombo. Parece-me que os jegues da lavagem não eram submetidos a tal tortura. Não chegam a apanhar.

Foto: Claudionor Jr.
disponível em http://www.atarde.com.br/noticia.jsf?id=5672754
A ação que obteve sucesso foi ajuizada por algumas ONGs (das tantas obscuras que proliferam pelo Brasil) OAB e, como era de se esperar, teve o parecer favorável do Ministério Público do Estado da Bahia. Na tal ação foram relatados maus tratos aos equinos (espetadas, tapas, som alto, sol forte e são obrigados a ingerir bebida alcoolica.)

Um dos argumentos (além da carga) seria o tempo que ficam sem beber água ou comer durante o trajeto de 8 quilômetros (Igreja da Conceição da Praia-Senhor do Bonfim). Fico a me perguntar se os beduínos dão tanta água assim aos camelos no Saara.Há maus tratos? Proíba-se as atrocidades, mas não é convincente a mera proibição da presença dos equinos (200 anos de tradição!) no cortejo. Como sempre, o Poder Público quando se trata de algo ligado às tradições populares, opta por amputar o braço em vez de tratar o ferimento. Opta pela solução mais rápida, sem levar em conta o sofrimento que irá causar.

Claro que sei das diferentes necessidades entre camelos, jegues, adeptos e juízes. Os dois primeiros são bem resistentes ao calor, à sede e à fome. Os limites dos adeptos são os limites da fé de cada um deles. Resta-me apenas saber quais são os limites do juíz. Assim terei elementos decidir onde realmente está o jumento.