"Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto de silêncio
Como os queremos!"
Leia a íntegra do poema em http://www.releituras.com/viniciusm_enjoado.asp
Assim começa o poema "Enjoadinho" do aclamado poeta brasileiro Vinícius de Moraes.
A pergunta que não quer calar, põe em xeque não o poema, mas a máxima que até hoje justifica a concepção: Seria ela (a concepção), um ato de amor incondicional?
Já tive certeza de que sim, mas ultimamente tenho estado em um verdadeiro duvidar. Um questionar sem fim. Afinal se os amamos tanto, até mesmo antes do seu nascimento, o que andamos a fazer com suas vidas?
Já é notório que as relações familiares deixaram de ser assunto apenas para colunistas sociais e tem cada dia ganhado espaço nos assuntos policiais. São estupros, espancamentos, cárceres privados e até homicídios que ocupam agora os acontecimentos familiares.
O leitor seria capaz de perguntar qual a relação entre as ocorrências criminosas no seio familiar e a motivação para ter filhos?
Não creio que qualquer resposta possa ser óbvia.
Se existe amor na decisão de ter filhos, por que tanta falta de amor na relação com eles? Só os pais amam? Sendo assim, com quem os filhos aprenderam a odiar seus pais em vez de amá-los? É possível odiar alguém que só nos dedica amor?
Nossas crianças e adolescentes tÊm adotado comportamentos individualistas e egoístas tão profundos que não medem limites para a prática de crueldades ante a possibilidade de obter, elevar ou antecipar seu próprio bem estar. A sobrevivência deixou de ser uma preocupação. Nada nem ninguém fica entre seus objetivos e eles. Até onde isso é salutar, não se perguntam.
Não estou pregando um mundo sem crianças, até porque isso determinaria o fim da humanidade. Urge que repensemos nossas motivações para querê-las e se as tivermos, precisamos saber o espaço necessário a ocupar em suas vidas, com vistas a não criarmos seres tão cheios de si, mas tão vazios de mundo seja lá o que isso signifique.
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