Uma simples tentativa de assalto.
Essa é a definição com a qual se busca encerrar o caso do delegado Clayton Leão, morto na estrada da cascalheiras. Lugar que, tomei conhecimento, é muito perigoso e predileto para prática de roubos de veículos. Estranhamente eu nunca havia ouvido falar disso, mas entrego isso à minha total alienação ao tema.
Não pretendo aqui questionar as autoridades que se convenceram dessa versão. O secretário de segurança pública César Nunes e o delegado-chefe da Polícia Civil Joselito Bispo. Ambos estão convencidos disso e, eu acredito pelos resultados obtidos nas estatísticas da violência em nosso estado, que eles sabem o que falam e o que fazem.
As evidências, infelizmente falam o contrário, já em primeira mão. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (Sindipoc), Carlos Lima aponta vários indícios que lhe convencem em sentido oposto ao dos dois primeiros profissionais aqui citados. Os principais indícios, apontados são: A placa quase intacta do carro usado pelos matadores, mesmo após o veículo ter sido incinerado; A fuga sem levar nada e não terem sequer ameaçado a esposa que o acompanhava.
Essa não é uma simples opinião de curioso. Trata-se aí de um profissional com décadas de serviço dedicado ao tema.
Desde que soube do acontecido eu fiquei a me perguntar por que ele?
Se foi um assalto, como é que ele, um delegado experiente optaria por parar desatentamente justamente em um local tão deserto e perigoso para dar uma entrevista pelo celular? Isto caberia a qualquer cidadão que não fosse treinado em segurança.
Se foi um crime de mando em decorrência de suas atividades de repressão ao tráfico, como é que descobriram onde ele estava? Temos tantos delegados atuantes que estão na mídia de sangue (podemos assisti-los ao meio-dia) e eles até onde sei, não foram mortos em nenhuma emboscada. Estão bem vivos. Os traficantes não tentaram matá-los. Seria muito óbvio se tentassem e, a retaliação seria bem mais agressiva do que o simples combate diário.
Minha conclusão é que foi um crime encomendado sim, mas não tem qualquer relação com sua atividade policial. Acredito até que se utilizaram dessa informação para, no caso de falhar o argumento de assalto, ter um bode expiatório mais provável.
Eu fico desta vez pelos mistérios de Shakespeare. Minha vã filosofia pode imaginá-los, mas revelá-los é atribuição de nossas competentes instituições de segurança.
Só hoje pude ler.
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