Reconstituição feita e a versão do assalto que culminou na morte do delegado Clayton Leão Chaves no 26 último confirmou-se como já se esperava.
O que não se esperava era que essa confirmação viesse da viúva e, se viesse, precisasse de uma reconstituição para tanto.
Como é que ela pode saber que seu esposo amado fora reconhecido no momento do assalto?
Imagino a cena:
Acusado: Ah, é o delegado! Passa fogo nele!
Seria normal que ela tivesse ouvido isso, se ele tivesse falado, mas se falou foi telepaticamente porque nos áudios não se ouve qualquer som nesse sentido.
As únicas palavras dos acusados são: "vai desgraça"!
Não se ouve um "Perdeu!", "Assalto!", palavras características quando a intenção é mesmo a subtração de algum bem material.
Segundo o jornal A tarde on line, a reconstituição durou 7 horas tendo seu início às 8h30min, na cidade de Dias D'Ávila onde o trio roubou três carros antes de chegar ao delegado. Algo não bate com as primeiras informações.
Segundo as primeiras informações, no momento da abordagem que culminou no homicídio do delegado, o trio usava um táxi que havia sido tomado de assalto na madrugada do fatídico dia(infelizmente não consegui encontrar os links que poderiam levar à essas notícias).
A reconstituição deveria durar todo "iter criminis", ou seja todo o intinerário, trajeto do crime. Do planejamento ao exaurimento: Roubo do táxi, deslocamento até o local, decisão de abordagem, fuga do local, incineração do veículo e tentativa de se esconder.
Pontos a esclarecer:
Roubo do táxi: Por que tomar um veículo tão visado para praticar um assalto? Táxis são veículos que, comumente sofrem monitoração e de fácil localização. Por outro lado, não é comum tomar um veículo de assalto para roubar outros veículos. Tais práticas são comuns para outro tipo de delito: Roubo a bancos e assemelhados.
Deslocamento até o local: Foi mesmo uma coincidência estarem alí?
Incineração do veículo: Se o objetivo era só roubar, por que incinerar o outro veículo que já haviam roubado? Por que a placa do veículo permaneceu intacta mesmo após ele ter sido incinerado?
Quem rouba veículos rouba para alguma finalidade, não para possuí-lo. Os acusados não estavam em fuga, nem parecem ter planejado qualquer outra ação para depois. Se planejaram, por que a polícia não apurou esse fato até o momento?
Local de esconderijo: Como é que os "assaltantes" resolveram se esconder em suas próprias residências? No mínimo, muita falta de criatividade.
A Reconstituição deverá, entre outros fatos, descobrir também como aconteceram tantas coincidências naquele dia: O delegado se atrasar para entrevista; O delegado negligenciar por sua segurança ao estacionar em um via reconhecidamente perigosa para falar ao celular e ainda, o delegado responsável pelo desmanche de um esquema de roubo e tráfico de carros roubados (Nêmesis) ser morto justamente por homens que, só naquele dia roubaram quatro veículos, pelo menos.
A reconstituição (espero) deverá lançar luz a essas dúvidas.